Existem coisas que servem, apenas, para alegrar um dia:
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Dessa vida
(...) No mais não sou nada
Não tenho ambição
Nem beleza.
Nunca fui bamba
Nem realeza
Trago no bolso um cigarro amassado
No rosto uma expressão cansada
E na garganta um samba rasgado.
Tudo é (des)gosto amargo
O ar de abril, o beijo febril
A língua de toda essa gente.
domingo, 24 de outubro de 2010
aprender-sentir

A memória,
Desse encontro
Do primeiro carinho
Das primeiras canções compartilhadas
E que tudo se multiplique,
Como nessa nossa estação se multiplicam as flores.
Que seja primavera,
Que nasçam flores no peito em cada abraço
E queime, e arda vida a cada samba cantado.
E que a poesia nunca acabe
O ritmo, a métrica, a medida
dessa saudade
de novo aprender-sentir
A memória,
É um ponto de partida, como diz Galeano.
Já fiz e refiz mil vezes a mesma vida
E em todas,
É o dia das crianças o ponto de partida.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Uma conversa com a dor.

Francamente, meu bem
É a vida quem manda
Talvez horas a fio
De nada remova de ti
A imprudência de ser
Bela, viva e fecunda.
Sonho, Triste sonho
Do velho moço
Que acredita ser
Humano
sábado, 9 de outubro de 2010
Deserto de bons sinais;

virei deserto
vida subterrânea
já não quero a falsa alegria
superficial.
quero arrancar espinhos
em dentadas
decretar o estado das coisas
puras e simples.
sou poeira agora
não possuo o dia seguinte
é o agora que consome o ar
a poeira a encher o pulmão
é assim que morro.
todos os dias.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Sem vulcão nem maremoto

Reconheço: Sou fraco
Não acho motivos
Exerço meu direito
No breve silêncio inerte
Os pássaros cantam seu sorriso
Eles, assim como eu, o reconhece
Eles do alto, e eu de longe.
Vê a lua? Ela também te reconhece
É ela quem visita teus sonhos
Ela que refez teu sorriso
Reconhece-me? Sou eu.
O louco transeunte no cinema de sua vida
O pássaro morto
Que sempre volta a cantar.
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