domingo, 11 de janeiro de 2009

Pensamentos Esparsos. [ Parte I ]



Aprendi a ficar em silêncio.


Não o silêncio mudo, quieto e sem efeito. O meu silêncio estronda os quatro cantos da parede do meu quarto, os alicerces da minha casa, o bairro inteiro acorda com esse silêncio e o fato é que nada nesse mundo conseguiria ser mais barulhento, ensurdecedor e conflitante do que um pensamento solto no silêncio de desequilibradas palavras, desajeitados gestos e vergonhosos olhares.


As palavras nada dizem e dizem menos ainda as intenções com as quais essas desequilibradas, delinqüentes e dementes frases foram jogadas nos ouvidos do mundo. Todo esse repertório de sílabas que estalam a língua e os dentes, depois a língua e os lábios, depois os lábios e os dentes, o céu da boca (...) não dizem nada além da terrível limitação de não saber o que se quer e é essa característica de um senso comum limitado que joga por terra qualquer chance dessas palavras ficarem em um silêncio individual. Que se exploda! Vá ao mundo desequilibradas, delinqüentes e dementes palavras, porque é no mundo que essas letras devem ganham a vida boêmia que desejo.


Os gestos, desajeitados e imprecisos confundem mais do que explicam e é lógico que não foram feito para explicações teóricas acerca do vazio ou do inconseqüente, porém tampouco foram imaginados para confundir. Como se fosse uma ilha a procura do sol* o corpo se coloca numa busca de desejos, prazeres e inquietudes, caçando ao redor de tudo o que lhe faz bem o ilimitado e o infinito, mas é a realidade que puxa os pés de sonhadores corpos para abaixo de sete palmos e os mostra os quão condicionados estes estão daquilo que é objetivo e concreto da sua terrível limitação.


Os olhares, estas silenciosas portas por onde se consegue captar o que há de mais belo e o que existe de maior em sentimentos, os olhares... Esses nada dizem e nada explicam, apenas confundem ou ao menos é a confusão de uma explicação que não teria como descrever em palavreados inúteis e sem vida.


Esse silêncio é o que sustenta o peso dos meus sonhos, é este silêncio que faz com que a cada novo despertar da consciência um novo desejo brote no meu corpo pesado para sair da prisão que construí em volta de planos que nunca serão concretizados e que eu já não abro mão, parece impossível. E é. Mas e daí?


Que se exploda!

11 comentários:

Gabriella. disse...

não conheço de ti nem metade do que realmente gostaria de conhecer...
leio teus textos com o intuito de me satisfazer...
traz em cada palavra escritos que podem [ou não] decifrar cada cm de mim... e é esse o motivo que me faz vir aqui e comentar [ou não]...
escreves tão "bom" que [por diversas vezes] me faltam palavras.

Grata pela visita.
AbraçoOoo!

Ana disse...

Resposta 1: é, esqueci de falar no ultimo comentário, e esqueci direito também ONDE foi exatamente. Sei que foi no orkut, em alguma comunidade, vc falando sobre algo que me interessava bastante, e quando fui responder vi que era um tópico muito antigo, aí vistei seu perfil, e vi que tinha depoimentos de Iramaya, aí resolvi ver o blog e fazer contanto por ele mesmo (até porque ADOREI), orkut ainda é social demaaais (?).

Resposta 2: Hoje.

Respostas satisfatorias? (:

Ana disse...

Também preciso aprender a ficar em silêncio, mas também, sem calar. ;)

Leveza de ser. disse...

As palavras são poucas e qualquer outro adjetivo sinônimo para elas é ainda suficientemente pequeno para gritar a voz do pensamento.
Ao menos contamos com a subjetividade de quem lê, de quem pode entender, de quem reflete, de quem pode ou quer ser parte, de quem compartilha o silêncio, mesmo com seus motivos próprios. Mas e daí? o Moço pergunta. Que se exploda. Ele desabafa.
O silêncio é isso. Um desabafo. Uma criteriosa forma de desmistificar as palavras. E a voz, essa é a melhor.A voz é contida e lançada, muda e voraz, forte e rouca, lenta e dengosa, muda, muda, muda. Tadinha... vamos conter nada! Que se exploda tudo mesmo! em ensurdecedores gritos da (na) alma. De dentro para fora e de fora para dentro. Façamos uma dança.

Anne Elisabeth disse...

somos tão parecidos que chega abusa.
:P

queria eu que meu silêncio fizesse menos barulho. Ele não vale o quanto pesa e me denuncia a cada gesto desajeitado..

e OK COMPUTER com cereza enche tudo de sentido, ou não.

Thaís disse...

É como se fosse possível reverter aquela parte bem funda da gente em coisa-palavra concreta sem que algo saia ileso; não sai. Mas é, Sorriso, sou daquelas que acham que a realidade é mesmo uma invenção científica e que as beiradas limitantes nunca sejam maiores que a gente!

Vou tentar postar mais sim, já é promessa minha comigo mesma, rs.

# du # disse...

assim como uma foto o silencio substui palavras que podem ensurdecer ou nao, neh =p
te amo nega! abraço

Anônimo disse...

Poeta!

Babi disse...

esse comentário acima é meu!
Babi

Gabriella. disse...

escritos que começaram a fazer falta.

ela. disse...

e eu aprendi a te amar.