segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Confessionário;


Sou o mesmo
Medito
Meço a vida em goles
Minto
Verdades que são só minhas.

O tempo mudou
Gatos voam nesse verão
Aqui ainda é cinza
Minto
Sou cego

Lá fora, meu deus, lá fora
Sinto!
O ar quente da cidade
Cheiro de gente. Suor!
Sente?

O olho segue o passo
O caminho sinuoso de tuas ancas
Aventura sem honra
Vê?

Sou o mesmo
A vida na garganta
Mentiroso
Cego
Sentimental!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Névoa contínua
O dia já caminha
Quintana diz:

"que a vida é breve,
e o amor
mais breve ainda."

Envolto o dia
Branco lenço
Ferido de mortal desleixo
O tempo se arrasta

Escrevo com quatro mãos,
E recito:

Meu ser bagunçado
Em teu seio dilatado
Descansa em vermelhidão
Nosso sono sossegado

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Manifesto ao extraordinário;


Eu sou milhares
E ando sem sapatos apertados
Sem nó na garganta
Meu choro é livre e deliciosamente doce

Fumaça, elevador, poeira
Chão firme em passadas largas
"O extraordinário é a prioridade"
Gritemos!

Utopia primaveresca do futuro
Galope no ventre da madrugada
Porque é tempo
De manhãs vermelhas

Nessa página nova e invertida
Dias e noites serão sempre
Calçados com esperança
Nos pés que dançam ciranda.

sábado, 11 de abril de 2009

O Cidadão do Mundo.

Um homem
Destes comuns
Um humano
Mediano;

Feito de sangue e suor
Mal cheiroso
Perfumado com uma dor
Sambando de lado;

Anda arrotando poemas
Com cheiro de rosas roubadas
Cada sílaba dissonante
Uma pétala da boca lhe escapa;


Hoje sonha acordado
Tem nos bolsos alguns trocados
Leva no rosto um sorriso
E na boca beijos roubados.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Viva la vida;

Fitei teus olhos
Amargos, fundos, negros
Vi um quase morto
Dentro e fora deles

Fora o morto morre
Dentro vive
Moribundo.

Mar de morte que me afoguei
Perdido, desavisado, mudo
Caminhante de passos largos
Me calei diante do mundo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Pr'Ela.

De todos os amores que a vida me deu
Foi o teu que eu guardei
Pelo restante dos dias
Até o juizo final

Guardo teu sorriso
Com a mais pura lembrança
De dias coloridos
De olhos negros e cabelos vermelhos

Tuas cores de amor
Num coração rubro
Desejo e quero
Teu sangue em minhas veias

Sorrisos, bocas e caras
Nessa roda colorida
Nessa ciranda da vida
Decidi ser teu.






- Escrito em algum lugar do Maranhão na volta pra casa, depois de dias realmente felizes.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Pensamentos Esparsos. [ Parte I ]



Aprendi a ficar em silêncio.


Não o silêncio mudo, quieto e sem efeito. O meu silêncio estronda os quatro cantos da parede do meu quarto, os alicerces da minha casa, o bairro inteiro acorda com esse silêncio e o fato é que nada nesse mundo conseguiria ser mais barulhento, ensurdecedor e conflitante do que um pensamento solto no silêncio de desequilibradas palavras, desajeitados gestos e vergonhosos olhares.


As palavras nada dizem e dizem menos ainda as intenções com as quais essas desequilibradas, delinqüentes e dementes frases foram jogadas nos ouvidos do mundo. Todo esse repertório de sílabas que estalam a língua e os dentes, depois a língua e os lábios, depois os lábios e os dentes, o céu da boca (...) não dizem nada além da terrível limitação de não saber o que se quer e é essa característica de um senso comum limitado que joga por terra qualquer chance dessas palavras ficarem em um silêncio individual. Que se exploda! Vá ao mundo desequilibradas, delinqüentes e dementes palavras, porque é no mundo que essas letras devem ganham a vida boêmia que desejo.


Os gestos, desajeitados e imprecisos confundem mais do que explicam e é lógico que não foram feito para explicações teóricas acerca do vazio ou do inconseqüente, porém tampouco foram imaginados para confundir. Como se fosse uma ilha a procura do sol* o corpo se coloca numa busca de desejos, prazeres e inquietudes, caçando ao redor de tudo o que lhe faz bem o ilimitado e o infinito, mas é a realidade que puxa os pés de sonhadores corpos para abaixo de sete palmos e os mostra os quão condicionados estes estão daquilo que é objetivo e concreto da sua terrível limitação.


Os olhares, estas silenciosas portas por onde se consegue captar o que há de mais belo e o que existe de maior em sentimentos, os olhares... Esses nada dizem e nada explicam, apenas confundem ou ao menos é a confusão de uma explicação que não teria como descrever em palavreados inúteis e sem vida.


Esse silêncio é o que sustenta o peso dos meus sonhos, é este silêncio que faz com que a cada novo despertar da consciência um novo desejo brote no meu corpo pesado para sair da prisão que construí em volta de planos que nunca serão concretizados e que eu já não abro mão, parece impossível. E é. Mas e daí?


Que se exploda!